sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Seis árbitros de castigo

Reportagem de Manuel Luís Mendes in Jornal de Notícias
Seis árbitros da Liga , dois deles internacionais, foram afastados de dirgir jogos, por erros grosseiros anotados pelos respectivos observadores.São eles Duarte Gomes (Lisboa), Jorge Sousa (Porto), ambos internacionais, Rui Costa (Porto), Paulo Pereira (Viana do Castelo), Paulo Baptista (Portalegre) e Vasco Santos (Porto). Efectivamente, segundo um novo critério adoptado por Vítor Pereira, presidente da Comissão de Arbitragem (CA), sempre que um observador avalie um juiz com nota negativa (inferior a 2,5) então é "castigado" com um ou dois jogos de "suspensão". Esta ideia surge para tentar responsabilizar mais os árbitros que, na prática, tinham a maior impunidade face a erros grosseiros cometidos em jogos, ao ponto dessas falhas poderem, mesmo, adulterar a verdade desportiva. Quanto mais grave for o erro, mais severo é o castigo e mais duradouro o afastamento. Duarte Gomes , Rui Costa e Vasco Santos foram penalizados, por exemplo, com dois jogos. Tentando credibilizar o sector, o líder da CA reage, assim, aos muitos críticos e detractores que o acusavam de passividade, ante a onda de arbitragens deficientes que se vão acumulando.Para estancar a "crise", Vítor Pereira não olha a nomes e vai gerindo as nomeações, em função da disponibilidade dos 25 juízes. Assim, Pedro Henriques esteve de fora na jornada passada - teve negativa no Santa Clara- Estoril - e volta, agora, ao activo, indo dirigir o Belenenses-Leixões, hoje, um jogo que abre a 10.ª jornada. Outro ausente, desde a sétima jornada, é o bracarense João Vilas Boas, mas este porque terá pedido uma dispensa, por tempo indeterminado, na sequência de duas notas negativas. A confirmar-se, oficialmente, esta informação, o quadro de árbitros fica, por uns tempos, reduzido a 24 elementos. Recorde-se que, no ano anterior, Duarte Gomes fez o mesmo, por lesão, não sendo, por isso, classificado. Mas este cenário de penalização dos árbitros, que não é oficial, é uma faca de dois gumes para Vítor Pereira. É que, se, por um lado, confere maior credibilidade à sua acção, por outro, tal não é bem visto pelos árbitros que consideram ser já penalizados pela classificação. Aliás, alguns deles, acabam por recorrer quando discordam da avaliação do observador. Estas sanções são um mero instrumento de gestão interna, pois qualquer suspensão apenas pode ser tomada após processo disciplinar e pela Comissão Disciplinar da Liga. Refira-se que esta já tinha sugerido, num acórdão, que os erros grosseiros dos árbitros justificariam a implementação de medidas punitivas, o que levaria à alteração dos regulamentos, uma situação somente ratificada pelos clubes. De qualquer modo, face a esta nova filosofia, por parte da CA, os árbitros começam a contestar a acção de Vítor Pereira. Alguns deles, ouvidos pelo JN, afirmaram que "precisam de estabilidade e nunca de instabilidade" e que "esta maneira de actuar não pacifica a arbitragem, nem os árbitros, que não perderam as suas qualidades e que só precisam de confiança". Particularmente, os juízes de elite estão peocupados com este tipo de situação, até porque ao serem excluídos das nomeações podem ser desautorizados perante os clubes além de lhes retirarr a confiança de que necessitam.
Duarte Gomes
Dirigiu o jogo Guimarães- União de Leiria, da 8.ª jornada, sendo assistido por José Lima, que tinha tido um "caso" anterior no Estrela da Amadora- Benfica, a contar para a Taça da Liga. Era o regresso desta dupla e as coias voltaram a não correr bem. Isto porque Duarte Gomes não assinalou um penálti claro, na sequência de um "abalroamento" do guarda-redes vimaranense Nilson ao leiriense João Paulo.
Jorge Sousa
Dirigiu a partida União de Leiria-Nacional, um jogo da 8.ª jornada, em que os madeirenses venceram por 3-1, com o golo leiriense a só acontecer nos derradeiros instantes. Só que houve um lance, na área do Nacional, que poderia ter co ndicionado o encontro. Aos 40 minutos, com o marcador em 0-1, a bola tocou na mão de Ricardo Fernandes, mas o árbitro, Jorge Sousa, mandou seguir, ignorando os protestos veementes dos da casa. O observador aplicou nota negativa.
Paulo Baptista
Jogo da 9.ª jornada. O Belenenses, no Dragão, procurava suster a marcha vitoriosa do F. C. Porto. Mas os campeões nacionais abririam o activo por Hélder Postiga, aos 21 minutos. Porém, o golo é precedido de um claro fora de jogo, pois o avançado recebeu o passe do colega, Paulo Assunção, e não do azul, Ruben Amorim. Mais tarde, aos 88 , o portista Lisandro isola-se , em posição legal, mas o juiz sanciona deslocação. Nota negativa, pois.
Paulo Pereira
O Olhanense e Rio Ave defrontaram-se, na 9.ª jornada, em clima de expectativa, tanto mais que os algarvios não perdiam há sete jornadas, situação que findou com avitória dos vila-condenses por 3-0. Muitas queixas dos da casa que reclamaram dois penáltis não sancionados e a expulsão do seu jogador Guga, omesmo sucedendo com o técnico, Álvaro Magalhães. A insatisfação levou o clube algarvio a fazer uma exposição e a solicitar uma audiência à Liga.
Rui Costa
Em jogo da 8.ª jornada, o F. C. Porto recebeu o Leixões. E o campeão não podia começar melhor, pois, aos cinco mintutos, Lisandro inaugurou o marcador , com um remate certeiro. Só que preparou a bola com a ajuda do braço, um gesto intencional, segundo o observador , que não foi sancionado pelo árbitro Rui Costa. Outro lance duvidoso foi protagonizado pelo leixonense Elvis que parece fazer falta, na área, sobre o portista Quaresma. Nofinal, nota negativa.
Vasco Santos
Vasco Santos dirigiu o encontro Belenenses-Académica a contar para a 8.ª jornada. O nulo final poderia não ter acontecido, caso o árbitro sancionasse um golo à Académica, por Joeano, aos 24 minutos. Considerou fora de jogo. Também dois alegados penáltis deram polémica. Num, o academista Mendonça cai na área e reclama falta. No outro, Pedro Roma, guarda-redes da Briosa, parece derrubar Roncato, mas o árbitro nada assinala. O observador deu-lhe negativa .