O "Prós e Contras", da RTP, voltou a colocar o tema da arbitragem no futebol em destaque. E, como sempre acontece, há quem defenda mudanças radicais e quem considere não existirem razões para alterar o que quer que seja. Não quero estar a discutir se a razão assiste mais aos árbitros ou a todos aqueles (e são muitos) que, independentemente do que se passa, dizem sempre que a culpa é dos homens do apito. Como diz a sabedoria popular: "nem tanto à terra, nem tanto ao mar". Defendo, há muito, que o futebol deve aplicar toda a tecnologia que contribua para diminuir o número de erros dos juízes. Procurar soluções para salvaguardar a verdade desportiva devia ser uma obrigação contínua de todos os agentes da modalidade. Quem, sem discussão, sem testes, recusa alterar o "modus operandi" está, indirectamente, a defender que a arbitragem, nacional ou mundial, funciona em pleno.E isso não é verdade.No entanto, convém ter presente que não há tecnologia que permita demonstar se há falta num lance ou se determinada infracção deve ser punida sem a amostragem de cartões, com amarelo ou vermelho. Essas decisões terão de pertencer sempre aos árbitros que, como qualquer cidadão (profissional ou amador), devem tentar fazer sempre o seu melhor, tendo consciência que o erro faz parte da vida e que muitas das decisões são, desde logo, subjectivas.Errar é, de facto, humano. E ter de decidir em décimas de segundo, sem recurso a imagens paradas ou a inúmeras repetições não é fácil. Mas, por termos todos consciência disso, é que se deve defender os árbitros, concedendo-lhes todo o material que os ajude a decidir mais vezes em conformidade. Na NBA, no futebol americano ou no râguebi o recurso à ajuda tecnológica tem contribuido, decisivamente, para a melhoria do espectáculo, para a credibilização das respectivas modalidades junto do público.Sobre a velha questão da profissionalização, continuo a considerar que o futuro tem de passar por aí. São muitos os desportos que já evoluiram para esse patamar. E as coisas ficam bem mais claras, pois parece algo ridículo que sejam amadores ou semi-profissionais a tomar decisões fulcrais num espectáculo onde todos os outros intervenientes são pagos, ao mais alto nível, de forma principesca. No profissionalismo, só os mais qualificados podem seguir em frente e caso os erros sejam sistemáticos ou graves a solução é óbvia: procuram outros empregos. Tão simples quanto isso.